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Japão Inesquecível: tradição, tecnologia e encantos naturais

Desde pequena, ouvia com encantamento as histórias da cultura japonesa contadas por minha família.

Por isso, como descendente de japoneses, sempre nutri um desejo profundo de conhecer, pessoalmente, a terra dos meus antepassados. Assim, essa viagem ao Japão tornou-se muito mais do que uma simples aventura turística — foi, acima de tudo, um reencontro emocionante com minhas raízes.

A cada templo que visitei, prato que experimentei e paisagem que contemplei, senti-me ainda mais conectada com a história que, de certa forma, moldou quem sou hoje.

Enquanto caminhava pelas ruas e descobria tradições centenárias convivendo com tecnologia de ponta, percebia, pouco a pouco, a riqueza desse contraste.

Por isso, compartilho agora este diário de viagem, repleto de emoções, descobertas e encantos naturais. Afinal, o Japão é um país único, onde tradição e inovação andam, surpreendentemente, lado a lado.

Chegada a Osaka e deslocamentos com metrô

Osaka_Japão_MetroChegamos a Osaka depois de passar dois dias maravilhosos em Okinawa. Usamos o metrô para nos locomover até os principais pontos turísticos.

Como tudo é muito organizado, consultamos assistentes de inteligência artificial para identificar as estações mais próximas, os horários e as baldeações.

Assim, conseguimos comprar nossos bilhetes com facilidade.

É interessante notar que existem vagões exclusivos para mulheres e que os japoneses evitam conversar no metrô. Quando o fazem, falam em voz muito baixa.

Dotonbori: gastronomia e compras

Chegamos à rua Dotonbori e, como era horário de almoço, procuramos um lugar para comer os tradicionais bolinhos de polvo, conhecidos como takoyaki, muito populares nos animes japoneses.

Esses restaurantes geralmente têm um polvo na fachada e mesas tradicionais onde precisamos tirar os sapatos e sentar sobre almofadas. A massa é feita com farinha e ovos, podendo ser temperada com shoyu, cebolinha e outros ingredientes.

O distrito de Dotonbori tem um comércio intenso, com várias lojas de artigos típicos, embora muitas já apresentem forte influência ocidental.

Comprei uma camisa com dizeres japoneses para o meu afilhado e encontramos roupas com excelente custo-benefício na loja Uniqlo, que se destaca pelo estilo minimalista e pelas cores neutras.

Japão_Osaka           Japão_Bolinho de Polvo

Espiritualidade no Namba Yasaka Jinja

Namba Yasaka JinjaO Japão é encantador.

Visitamos o santuário xintoísta Namba Yasaka Jinja, famoso por sua estrutura em forma de leão ou dragão com a boca aberta.

A religião original do Japão é o xintoísmo, mas, com a influência chinesa e coreana, o budismo passou a fazer parte da cultura local a partir do século VI.

Hoje, ambas convivem harmonicamente: o xintoísmo, com sua ligação com a natureza e os antepassados, e o budismo, focado em meditação e autoconhecimento para reduzir o sofrimento.

A convivência pacífica entre as duas religiões é um exemplo para muitas sociedades que ainda brigam por religião como se fossem times de futebol.

Antes de entrar no santuário, é costume realizar um ritual de purificação, lavando as mãos e a boca em uma fonte com conchas. Esse gesto nos prepara para um momento espiritual, criando uma pausa na experiência turística.

Fiz alguns pedidos com moedas, enviando boas energias para amigos que estavam passando por momentos difíceis.

Arte imersiva no parque Nagai com TeamLab

Nagai com TeamLabNo parque Nagai, visitamos uma exposição do TeamLab, coletivo artístico japonês internacionalmente conhecido por suas instalações imersivas.

Fundado em 2001, o grupo mistura arte, ciência e tecnologia para criar experiências sensoriais únicas.

Visitamos à noite, o que tornou tudo ainda mais especial: projeções coloridas nas árvores, esculturas interativas, lanternas que piscavam sobre o lago e ovos gigantes iluminados entre as árvores.

As crianças se encantaram com as projeções de figuras tocando instrumentos e os reflexos mágicos espalhados pelo parque.

Café da manhã japonês e estrutura dos hotéis

Na manhã seguinte, fizemos exercícios antes do café.

Vale lembrar que nem todos os hotéis têm academia, e alguns cobram taxa extra para usar a estrutura do spa.

O café da manhã foi incrível, quase um almoço: algas com textura de macarrão, broto de bambu com shoyu, peixe, frango, arroz, guioza e também opções ocidentais como pães e frios.

Castelo de Osaka e sua história

Visitamos o Castelo de Osaka, imponente com seu fosso de água que remete a cenas de desenhos animados, onde crocodilos protegeriam a fortaleza.

Os muros altos e espessos em pedra envolvem o castelo e impressionam pela robustez. Construído em 1583, o castelo teve papel decisivo em lutas de poder que culminaram na era Edo, em 1603.

Toyotomi Hideyoshi, conhecido por unificar o Japão, está diretamente ligado à história do castelo. Filho de um camponês, ele apoiou o líder Nobunaga com estratégias inovadoras, como a gamificação do trabalho para acelerar a construção e a distribuição de tarefas como o enchimento do fosso com água de arrozais.

Hideyoshi também implementou políticas de redistribuição de terras e incentivou as artes e a cultura.

Saber que, mesmo vindo de origens humildes, ele conquistou tamanho respeito e protagonismo mostra o valor dado à inteligência estratégica na época.

Os jardins do castelo são lindos e, se houver tempo, vale correr entre as árvores ou apenas contemplar a paisagem.

Japão_Castelo de Osaka01      Japão_Castelo de Osaka02

Parque de Nara e o Grande Buda

Japão_Nara03 Japão_Nara04Depois, seguimos para o Parque de Nara, famoso pelos cervos dóceis e considerados sagrados.

Em tempos antigos, matá-los era punido com a pena de morte. Os cervos circulam livremente e, mesmo sem alimento, se aproximam em busca de carinho.

No local, é possível comprar pacotes de ração para alimentá-los.

Nara foi capital do Japão entre 720 e 794. Na época, a sociedade era majoritariamente rural e xintoísta. No entanto, com a influência chinesa e coreana, o budismo se fortaleceu e causou disputas entre clãs.

Sob o imperador Shomu, grande entusiasta do budismo, ergueu-se o Japão_Nara01Templo Todai-ji e sua impressionante estátua do Grande Buda (Daibutsu), com 16 metros de altura.

A Imperatriz Koken também colaborou para a expansão budista, trazendo tesouros da Rota da Seda e incentivando o desenvolvimento do katakana.

Milhares de pessoas, de todas as classes sociais, participaram da construção do templo.

É emocionante ver as estátuas e imaginar o impacto desse local na época. Um dos pilares do templo possui um túnel estreito, onde, segundo a lenda, quem conseguir passar terá sorte.

Para conter a influência budista, a capital foi transferida para Kyoto em 794.

Santuários e templos em Kyoto

Após almoçarmos um delicioso gyudon (carne fatiada e cozida), visitamos o santuário Fushimi Inari com seus mil torii vermelhos. Vimos as estátuas das raposas, consideradas protetoras dos arrozais, mas não conseguimos completar todo o trajeto.

O Templo do Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji), folheado a ouro, foi outro ponto alto.

Construído em 1397 durante o shogunato de Yoshimitsu, o templo não possui grandes estruturas defensivas por ter sido erguido em tempos de paz.

Vimos áreas dedicadas à cerimônia do chá e fontes exclusivas para cada samurai. O reflexo dourado no lago cria uma imagem inesquecível e, embora estivesse muito quente, sabemos que com neve o cenário também é mágico.

Visitamos ainda o Santuário Heian, com jardins inspirados nas quatro estações e toque ocidental.

O som metálico das bandeirinhas balançando ao vento criou um clima contemplativo. Em frente ao santuário, encontramos uma feira de artigos usados, ótima para adquirir peças autênticas a bons preços, embora ela não funcione todos os dias.

No Castelo de Nijo, observamos bonecos representando samurais em reunião.

A estrutura tem pisos que “cantam” ao serem pisados, funcionando como sistema de segurança. As pinturas nas paredes mostram animais ferozes em salas de audiência, simbolizando poder, e flores nos quartos femininos, representando delicadeza.

Japão_Templo Dourado1 Japão_Templo Dourado2 Japão_Templo Dourado3

Hakone: termas, torii e Monte Fuji

No dia seguinte, embarcamos no trem-bala rumo a Hakone. A viagem foi rápida e tranquila, com belas paisagens pelo caminho.

Japão_Hakone01Em Hakone, os japoneses costumam descansar em águas termais e comer ovos cozidos em fontes vulcânicas.

Esses ovos, de casca preta, são associados à longevidade. O sabor, no entanto, é igual ao de ovos comuns. Visitamos o lago Ashinoko e fizemos um pequeno cruzeiro, mesmo com a neblina dificultando a vista do Monte Fuji.

Depois, fomos ao Hakone Jinja, um templo xintoísta cercado por natureza exuberante. As árvores centenárias são identificadas com cordões, e os torii vermelhos se destacam na paisagem.

Nos hospedamos no Fujiya Hotel Lake e tivemos a experiência relaxante de um banho de ofurô.

Após o banho prévio obrigatório, homens e mulheres ficam em andares separados e aproveitam a água quente com hidromassagem. Meu joelho agradeceu.

 

Japão Ovo casca preta01 Japão Ovo casca preta02

Tóquio no Japão: tradições e modernidade

Em Tóquio, visitamos o Santuário Meiji e seus enormes jardins.

Casamento_JapãoTivemos a sorte de assistir a um casamento tradicional. No pátio principal, duas árvores unidas por uma corda simbolizam sorte para casais e promessas para quem busca um amor.

Subimos na Torre de Tóquio para admirar a cidade e almoçamos no Tokyo Metropolitan Shiba Park. Depois, exploramos Nakamise, com suas lojas tradicionais e o templo de Asakusa.

No dia seguinte, visitamos o TeamLab Borderless. Compre os ingressos com antecedência! Japão_Team

As projeções de flores, aves e água em movimento criam um ambiente mágico. As luzes interagem com o público, e há salas com bolas de vidro, fios que caem do teto como cristais e figuras que correm entre os cômodos.

Fomos ao Ueno Park, onde visitamos o Museu Nacional de História e conhecemos mais da cultura japonesa.

Do hotel Grand Nikko, avistamos a Rainbow Bridge e tínhamos fácil acesso a shoppings, o que ajudou nas refeições e compras. Compramos uma mala gigante do Pikachu para facilitar na identificação e evitar extravios, que já aconteceram duas vezes!

À noite, fomos ao El Café Latino e nos divertimos observando como os japoneses se empenham para aprender danças latinas, interagindo com muita simpatia.

Últimos dias: Ueno Park e museus

portão Karamon_JapãoDe volta ao Ueno Park, visitamos o portão Karamon, datado de 1627, decorado com dragões dourados e lanternas oferecidas por senhores feudais.

Também vimos o rosto de um Buda cujo corpo foi fundido durante a guerra para fabricar armas. Até as tampas de bueiro, com desenhos de cerejeiras, revelam o cuidado japonês com os detalhes.

No zoológico de Ueno, vimos os pandas irmãos que, teoricamente, ficarão lá até 2026. A fêmea Lei Lei nos encantou com sua calma ao comer bambu.

Também vimos o panda-vermelho, menor e com aparência de raposa bochechuda, mas ele dormia profundamente.

Ao lado do zoológico, visitamos o Museu de Arte Ocidental, criado a partir da coleção de um empresário japonês apaixonado por arte europeia.

Vimos obras de Rodin e de diversos pintores impressionistas. Já o Museu de História Natural nos decepcionou um pouco pela falta de legendas em inglês, talvez não valha a visita para quem tem pouco tempo em Tóquio.

Conclusão sobre nossa viagem ao Japão

Encerrar essa jornada pelo Japão é como fechar um livro que se deseja reler imediatamente.

Desde o primeiro passo em solo japonês até os últimos momentos nas ruas movimentadas de Tóquio, cada experiência foi enriquecedora. Embora tenhamos visitado diversas cidades, todas com características únicas, o que mais me marcou foi a capacidade do Japão de equilibrar tradição e modernidade de forma tão harmoniosa.

Ao mesmo tempo em que caminhávamos por templos milenares, também nos encantávamos com tecnologias impressionantes, revelando um país que valoriza o passado sem abrir mão do futuro.

Além disso, a educação, o respeito, a organização e o cuidado com os detalhes reforçaram, constantemente, a sensação de acolhimento.

Portanto, mais do que uma viagem turística, viver o Japão foi uma verdadeira lição de cultura e humanidade. Por onde passamos, levamos conosco aprendizados, sabores, sons e imagens que certamente ficarão para sempre na memória.

Apesar do roteiro intenso, conseguimos aproveitar cada momento.

Por isso, recomendo com entusiasmo essa experiência a todos que desejam conhecer um destino que une beleza, história, espiritualidade e inovação.

Sem dúvida, o Japão tocou profundamente minha alma. Assim, termino esse diário com gratidão e o desejo sincero de um dia voltar.

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